O AMIGO DO AMIGO DO MEU PAI

“O amigo do amigo de meu pai”Por Rodrigo Rangel e Mateus Coutinho na Revista CrusoéNa última terça-feira, um documento explosivo enviado pelo empreiteiro-delator Marcelo Odebrecht foi juntado a um dos processos da Lava Jato que tramitam na Justiça Federal de Curitiba. As nove páginas trazem esclarecimentos que a Polícia Federal havia pedido a ele, a partir de uma série de mensagens eletrônicas entregues no curso de sua delação premiada.No primeiro item, Marcelo Odebrecht responde a uma indagação da Polícia Federal acerca de codinomes que aparecem em emails cujo teor ainda hoje é objeto de investigação. A primeira dessas mensagens foi enviada pelo empreiteiro em 13 de julho de 2007 a dois altos executivos da Odebrecht, Irineu Berardi Meireles e Adriano Sá de Seixas Maia. O texto, como os de centenas de outras e-mails que os executivos da empreiteira trocavam no auge do esquema descoberto pela Lava Jato, tinha uma dose de mistério.Marcelo Odebrecht pergunta aos dois: “Afinal vocês fecharam com o amigo do amigo do meu pai?”. É Adriano Maia quem responde, pouco mais de duas horas depois: “Em curso”. A conversa foi incluída no rol de esclarecimentos solicitados a Marcelo Odebrecht. Eles queriam saber, entre outras coisas, quem é o tal ”amigo do amigo do meu pai”. E pediram que Marcelo explicasse, “com o detalhamento possível”, os “assuntos lícitos e ilícitos tratados, assim como identificação de eventuais codinomes”.A resposta do empreiteiro, que após passar uma longa temporada na prisão em Curitiba agora cumpre o restante da pena em regime domiciliar, foi surpreendente. Escreveu Marcelo Odebrecht no documento enviado esta semana à Lava Jato: “(A mensagem) Refere-se a tratativas que Adriano Maia tinha com a AGU sobre temas envolvendo as hidrelétricas do Rio Madeira. ‘Amigo do amigo de meu pai’ se refere a José Antonio Dias Toffoli”. AGU é a Advocacia-Geral da União. Dias Toffoli era o advogado-geral em 2007.O empreiteiro prossegue, acrescentando que mais detalhes do caso podem ser fornecidos à Lava Jato pelo próprio Adriano Maia. “A natureza e o conteúdo dessas tratativas, porém, só podem ser devidamente esclarecidos por Adriano Maia, que as conduziu”, afirmou no documento, obtido por Crusoé.Adriano Maia se desligou da Odebrecht em 2018, depois do turbilhão que engoliu a empreiteira. Ex-diretor jurídico da construtora, seu nome já havia aparecido nos depoimentos da delação premiada de Marcelo Odebrecht. Ele é citado como conhecedor dos negócios ilícitos da empresa. O empreiteiro diz que Adriano Maia sabia, por exemplo, do pagamento de propinas para aprovar em Brasília medidas provisórias de interesse da Odebrecht. Ele menciona, entre os casos, a MP que resultou no chamado “Refis da Crise” e permitiu a renegociação de dívidas bilionárias após acertos pouco ortodoxos com os ex-ministros Guido Mantega e Antonio Palocci.

Adriano Maia também aparece em outras trocas de mensagens com Marcelo Odebrecht que já constavam nos inquéritos da Lava Jato. Em uma delas, também de 2007, Odebrecht o orienta a estreitar relações com Dias Toffoli na Advocacia-Geral da União. Àquela altura, a Odebrecht tinha interesse, juntamente com outras construtoras parceiras, em vencer a licitação para construção e operação da usina hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira. Na AGU, Toffoli havia montado uma força-tarefa com mais de uma centena de funcionários para responder, na Justiça, às ações que envolviam o leilão.Havia um esforço grande do governo para dar partida às obras. O leilão para a construção da usina de Santo Antônio foi realizado em dezembro de 2007, cinco meses após a mensagem em que Marcelo Odebrecht pergunta aos dois subordinados se eles “fecharam com o amigo do amigo de meu pai”. A disputa foi vencida pelo consórcio formado por Odebrecht, Furnas, Andrade Gutierrez e Cemig. A Lava Jato trabalha para destrinchar o que há por trás dos e-mails – e dos codinomes que, agora, a partir dos esclarecimentos de Marcelo Odebrecht, são conhecidos.A menção a Dias Toffoli despertou, obviamente, a atenção dos investigadores de Curitiba. Uma cópia do material foi remetida à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para que ela avalie se é o caso ou não de abrir uma frente de investigação sobre o ministro – por integrar a Suprema Corte, ele tem foro privilegiado e só pode ser investigado pela PGR. Os codinomes relacionados às amizades de Marcelo e do pai dele, Emílio Odebrecht, já apareciam nas primeiras mensagens da empreiteira às quais a Polícia Federal teve acesso, ainda na 14ª fase da Lava Jato, deflagrada em junho de 2015. No material, havia referências frequentes a “amigo”, “amigo de meu pai” e “amigo de EO”.Demorou pouco mais de um ano para que os investigadores colocassem no papel, pela primeira vez, que o “amigo de meu pai” a que Marcelo costumava se referir era Lula – o ex-presidente conhecia Emílioo Odebrecht desde os tempos em que era sindicalista. As mensagens passaram a fazer ainda mais sentido depois. Elas quase sempre tratavam de assuntos relacionados ao petista. Se havia a certeza de que o “amigo de meu pai” era Lula, ainda era um enigma quem seria o tal “amigo do amigo de meu pai”. Sabia-se que, provavelmente, era alguém próximo a Lula. Mas faltavam elementos para cravar o “dono” do codinome e, assim, tentar avançar na apuração. A alternativa que restava era, evidentemente, perguntar ao próprio Marcelo Odebrecht. E assim foi feito.Há fundadas razões, como se diz no jargão jurídico, para Dias Toffoli ser tratado por Marcelo Odebrecht como “amigo do amigo de meu pai” – amigo de Lula, portanto. O atual presidente do Supremo foi, durante anos a fio, advogado do PT. Com a chegada de Lula ao poder, ascendeu juntamente com os companheiros. Sempre manteve ótima relação com o agora ex-presidente, que está preso em Curitiba.Em 2003, Dias Toffoli foi escolhido para ser o subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil. Naquele tempo, o ministro era José Dirceu. Toffoli ocupou o posto até julho de 2005. Em 2007, foi nomeado por Lula chefe da Advocacia-Geral da União, um dos cargos mais prestigiosos da máquina federal. Em 2009, deu mais um salto na carreira: Lula o escolheu para uma das onze vagas de ministro do Supremo Tribunal Federal.Nesta quinta-feira, Crusoé perguntou a Dias Toffoli que tipo de relacionamento ele manteve com os executivos da Odebrecht no período em que chefiava a AGU e, em especial, quando a empreiteira tentava vencer o leilão para a construção das usinas hidrelétricas no rio Madeira. Até a publicação desta edição, porém, o ministro não havia respondido.Os outros e-mails listados na resposta de Marcelo Odebrecht ao pedido de esclarecimentos feito pela Polícia Federal trazem mais bastidores da intensa negociação travada entre a empreiteira e o governo em torno dos leilões para a construção das usinas na região amazônica – projetos que, na ocasião, eram tratados por Brasília com grande prioridade e que, como a Lava Jato descobriria mais tarde, viraram uma fonte generosa de propinas para a cúpula petista.Ao explicar uma das mensagens, Marcelo Odebrecht volta a envolver o ex-presidente Lula diretamente nas controversas negociações com a companhia. Ao se referir à decisão da empresa de abrir mão de um contrato de exclusividade com seus fornecedores no processo de licitação da usina de Santo Antônio, Marcelo afirma que a medida foi adotada a partir de uma conversa privada entre Lula e Emílio Odebrecht.Diz ele: “Esta negociação foi feita entre Emílio Odebrecht e o presidente Lula (‘amigo de meu pai’) que prometeu compensar a Odebrecht em dobro (de alguma forma que só Emílio Odebrecht pode explicar)”. Também há menção a Dilma Rousseff, tratada em um dos e-mails como “Madame”. A então, ministra da Casa Civil de Lula era vista, àquela altura, como um empecilho aos projetos da Odebrecht na área de energia na região norte do país. As mensagens trazem, ainda, referências aos pedidos de propina relacionados aos leilões, que chegavam por intermédio de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.Com as respostas do empreiteiro-delator, a Lava Jato deverá dar mais um passo nas investigações sobre os leilões das hidrelétricas. Uma das frentes de apuração, que mira a construção da usina de Belo Monte, já está avançada. Quanto à menção de Marcelo Odebrecht a Dias Toffoli, não se sabe, até aqui, se a Procuradoria-Geral da República pedirá algum tipo de esclarecimento ao ministro antes de decidir o que fazer. Como advogado-geral da União, Toffoli tinha a atribuição de lidar com o tema. Até por isso, não é possível, apenas com base na menção a ele, dizer se havia algo de ilegal na relação com a empreiteira. Mas explicações, vale dizer, são sempre bem-vindas.The Intercept BrasilJunte-se hoje aos mais de 2 mil apoiadores do Intercept. O Brasil precisa muito do jornalismo e o jornalismo precisa de você.
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Começa a Fase Crítica do Coronavírus

Segundo os cálculos matemáticos do Ministério da Saúde, começa nesta segunda feira;6 de abril de 2020 o aumento da curva da pandemia no nosso querido Estado do Rio de Janeiro. Em função disto, é de extrema importância que as pessoas, continuem sem sair de casa, principalmente os idosos e pessoas com deficiências imunológicas.

O Ministro da Saúde Dr Luiz Henrique Mandetta, vem alertando a população, que não se exponham aos riscos eminentes.Por outro lado, o Presidente Messias, insiste em divulgar o contrário em suas redes sociais, causando enorme retrocesso nos trabalhos dos cientistas brasileiros e do mundo, dizendo que esse vírus só uma gripezinha, no máximo um resfriadinho.

A guerra econômica começa a tomar forma contra os países pobres, quando o Presidente Trump, da maior potência do planeta, resolve embargar todos os insumos, produtos hospitalares comprados pelo Brasil da China. Neste sentido Trump se comporta como um genocida ao açambarcar tudo que vier do pais comunista que venceu o COVID 19.

Enquanto isso, aqui nos andares de baixo, bem perto  do fundo do poço, o povo faminto e desorientado, começa a dar sinais de inanição, enquanto esperam o pico da doença  nas principais capitais, as mais populosas cidades do Estado do Rio de Janeiro.

Os que vivem nos andares de cima, não houvem a nossa agonia e se preparam com os seus exércitos para reprimirem as pessoas, caso haja tumultos com saques aos supermercados, o que provavelmente acontecerá em breve.

As igrejas neopetencostais, recuaram em dar continuidades aos cultos nas grandes igreja, mas no interior do estado, chegam notícias que está tudo liberado, em nome do Jesus.

Por falar nisso,  teremos uma semana santa com grandes surpresas para os cristãos e não cristãos e pastores que não receberão os dízimos.

Sendo assim, nada será como antes.

Frederico Araujo é Repórter Independente  criador deste site.

 

Centro Cultural e Esportivo de Neves

aQUI SERÁ CRIADO O POLO cULTURAL DE SÃO GONÇALO

COMUNICADO 01AOS MORADORES DE NEVES      25-01-2020

PROJETO   CENTRO CULTURAL E ESPORTIVO DE NEVES por Fred Araujo

“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer ”Vandré

O bairro de Neves  foi considerado um importante polo comercial e industrial de São Gonçalo, até a década de 1970.  No  bairro  ainda se vê as  marcas daquele tempo, nas fachadas de algumas casas, principalmente na Rua Oliveira Botelho e adjacências, mas isto pertence ao passado e já foi contada no livro da Professora Historiadora  Aída Farias, “ Do Esplendor à Decadência”.

No centro do bairro de Neves, estão em atividades o Detran, o IFRJ Instituto Federal de  Educação do Rio de Janeiro, um  Centro de Saúde Municipal, a Escola Municipal Ernani Farias, o Colégio Cenecista, o  Colégio Estadual Santos Dias e nesta semana o bairro ganhará, ao lado  da histórica Feira de Neves, o Centro  de Tradições Nordestinas, que atrairá para a localidade mais trabalho, emprego e renda.

É neste contexto surge o Projeto do Centro Cultural e Esportivo  de Neves.    Quando assumi   o  compromisso de fazer naquele  espaço a tarefa de transformar a Casa de Saúde, num  Centro Cultural e Esportivo, sabia das dificuldades que iria encontrar, mas tinha certeza que seria  aceito pela  comunidade, pois muitos moradores, ali nasceram. É triste  dizer  que a antiga Casa de Saúde N.S.das Neves, foi alvo de vândalos e usuários de drogas, por longo período  e em consequência disto, o estado lastimável  em que se encontra. Com a nossa entrada no espaço as coisas  mudaram.

Surge  neste cenário, o Projeto do Centro Cultural e Esportivo visando resgatar aos novos e antigos moradores, a auto estima tão importante para o  desenvolvimento  humano, uma vez que funcionará no “coração” do bairro. Lá, já  estamos trabalhando desde o dia 08  de Dezembro de 2019, em condições absolutamente adversa.

O Centro   Cultural e Esportivo, tem por  finalidade, implantar  atividades tecnológicas, culturais, esportivas e agroecológicas. Contamos com a colaboração de todos e todas, para realizarmos juntos os  compromissos assumidos. Precisamos de  Doações e  Voluntários Contato WatsApp  21 988662271  Fixo 3703-4823  (site)    www.rionlinetv,com  e-mail [email protected]aQUI SERÁ CRIADO O POLO cULTURAL DE SÃO GONÇALO

Projeto do Centro Cultural de Neves

aQUI SERÁ CRIADO O POLO cULTURAL DE SÃO GONÇALO

São Gonçalo 20 de Dezembro de 2019.

Nesta data, eu Nilda Ferreira e Luciana Araujo, entramos pela terceira vez no prédio onde pretendemos instalar o Centro Cultural de Neves, desta vez acompanhados pelo cinegrafista  por Eduardo.

Fizemos uma rápida vistoria no térreo, para certificarmos se tudo continuava como antes, ou seja, som sujeira pra todo lado. Depois de duas horas dentro do prédio, constatamos que os problemas eram muito maiores do que imaginávamos, ou seja teríamos que ter recursos financeiros para tocarmos a empreitada.

Já no final da visita alguém informou que a cantora Claudia Leite havia nascido naquela Maternidade e que , quem sabe poderia nos ajudar  com recursos materiais para fechar as janelas, cujo as de alumínio foram todas roubadas.São janelas grandes e precisaríamos de pelo menos mil tijolos vazados, semelhantes aos do Colégio Santos Dias. Foi assim que o nosso cinegrafista fez as imagens dos nossos pedido à cantora Cláudia Leite.

Ficou estabelecido que o site www.rionlinetv.com  seria o site oficial para registrar todos os acontecimentos que ali ocorrerem daqui para frente e que fossem de interesse público. Isto é importante, para que não haja especulações e conflitos das informações. Neste sentido o site ficaria responsável também pelos programas que serão divulgados pela internet e para isso, reservamos duas salas na entrada para montarmos o estúdio, motivo pelo qual precisamos fechar todas a aberturas do prédio com grades e as janelas com os tijolos vazados, solução mais barata, encontrada.

A Campanha do Mutirão de Limpeza continua, mas com poucas adesões aos trabalhos no entanto, Luciana conseguiu que a Prefeitura mandasse um representante para recolher todo o lixo que estivesse colocado  do lado de fora que estivessem ensacados em em sacos de ráfia.

O CENTRO CULTURAL É UMA BOA IDEIA?

Aimagem acima , reflete o tamanho do Projeto Cultural de Neves. Por Fred Araujo

Como todos os moradores do Bairro de Neves, eu passava pra lá e pra cá, todos os dias  na frente daquele prédio abandonado.Aquele dia se tornou especial para mim quando comentei com uma moradora, como uma Clinica daquela, que serviu a tantas pessoas pudesses está naquele estado e por tanto tempo.

A senhora comentou que o dono não queria saber daquilo não e agora está servindo de moradia para os “cracúdos”(CRACUDOS é a forma pejorativa de alguém que quer discriminar os usuários de drogas ilícitas) Aí eu retruquei que havia notícias que estão roubando tudo ali dentro.Objetos, tipo cama hospitalar, cadeiras de ferro,armários e equipamentos caríssimos já foram roubados de lá de dentro. Ali só existem as paredes do prédio, porque as janelas e portas foram arrancadas, junto a outros equipamento médicos. Sabedor desta situação degradante resolvi tomar uma atitude e aí pensei em tornar aquele espaço abandonado em algo útil para todos.

Foi assim, que surgiu a ideia de transformar aquilo num Centro Cultural. Sem ter certeza de nada resolvi entrar entrar no terreno e fazer algumas filmagens e mostrar ao médico que é herdeiro de um dos antigos donos.

Desde Outubro venho mantendo contato com o seu advogado que também achou uma boa ideia a gente “ocupar” o prédio todo para aquela finalidade.

Estamos em Dezembro de 2019 e de posse do documento nos autorizando a entrar,  começamos  nesta segunda feira 16 a fazer as primeiras de muitas ações de limpeza e reconhecimento do terreno que estamos pisando.

Muitas pessoas se dispuseram a nos ajudar mas até hoje, concretamente apenas Eu, Nilda, Luciana, Antônio Pedro ,Geovano e Ed Farias estivemos presentes, munidos de mascaras, vassouras,cloro e alguns litros de desinfetantes.

O material retirado apenas do térreo da Antiga Casa de Saúde Nossa Senhora das Neves nesta segunda feira tornou-se um entulho gigantesco e nos fez pensar no aluguel de caçambas de ferro para  a retirada do lixo acumulado no local. Cada caçamba custa em torno de Duzentos reais e vamos precisar de muitas.

Em breve estaremos disponibilizando uma Conta Corrente na Caixa Econômica Federal para recebermos as doações dos nossos amigos, artistas, camaradas, vizinhos e quem mais puder ajudar.

FRED ARAUJO AO SEU DISPOR.aQUI SERÁ CRIADO O POLO cULTURAL DE SÃO GONÇALO

 

DELTAN DALLAGNOL QUER LARANJAS

Segunda-feira, 12 de agosto de 2019
“Vou te pedir pra ser laranja em outra coisa”
A reportagem de hoje da #VazaJato mostra como o procurador Deltan Dallagnol usou dois grupos políticos como porta-vozes de causas políticas pessoais dele e da operação. Novos diálogos das mensagens secretas da Lava Jato revelam que Dallagnol pauta atos públicos, publicações em redes sociais e manifestações dos movimentos de forma oculta, tomando cuidado para não ser vinculado publicamente a eles.

O procurador aciona integrantes do Vem pra Rua e do instituto Mude para que sirvam como laranjas em diversas ocasiões. Em uma delas, busca interferir na escolha do ministro do STF que substituiria Teori Zavascki na relatoria da Lava Jato na Suprema Corte.

Os diálogos mostram uma conversa entre Patrícia Fehrmann, do Mude, e Dallagnol em que o procurador recomenda: “seria bom se os movimentos replicassem o post do Luis Flavio Gomes”. Diz a reportagem de Rafael Neves e Rafael Moro:

A publicação atacava Mendes, Lewandowski e Toffoli e afirmava que “comprovar-se-á que o diabo também pode vestir toga” se a relatoria da Lava Jato caísse com um dos três. Dallagnol instruiu Fehrmann a procurar o Vem Pra Rua para reproduzir a mensagem, mas pediu anonimato na sugestão: “só não me citem como origem, para evitar melindrar STF”.

A matéria descreve outras situações em que o procurador age por debaixo dos panos e pede para seus interlocutores serem discretos. Ao dizer ao Mude quem gostaria que assumisse a PGR, ele recomenda que atuem “sem mencionar minha sugestão”. Ao pedir para que uma procuradora apoie um abaixo-assinado a favor da prisão em segunda instância, propõe: “Se Vc topar, vou te pedir pra ser laranja em outra coisa que estou articulando kkkk”.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA →

Rafael Neves
Repórter

Rafel Moro
Editor Contribuinte Sênior

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The Intercept Brasil ABRINDO A GAVETA DA POLÍTICA DE DROGAS

Sábado, 10 de agosto de 2019
Abrimos a gaveta da política de drogas
Não foi com Bolsonaro que o governo começou a mudar a política de drogas. Quando Temer assumiu, em 2016, as estratégias focadas em redução de danos passaram a dar lugar a uma abordagem mais dura, baseada em internação compulsória de dependentes.

É um modelo que centraliza o tratamento nas comunidades terapêuticas, clínicas antidrogas que são, em geral, tocadas por instituições religiosas, que recebem verba do governo para “recuperarem” os dependentes. Em outras palavras: quanto mais viciados, mais dinheiro. O ministro e ex-deputado Osmar Terra, notório defensor da guerra às drogas, já tinha até um projeto de lei, pronto, que só esperava o momento certo para mudar a Lei de Drogas e instituir a internação compulsória.

Só que havia uma pedra no sapato desse modelo. Não havia evidências suficientes para sustentar a nova política. Apesar de Terra e outros defensores – normalmente ligados à bancada evangélica – falarem em “epidemia de crack” e outras drogas, os dados disponíveis não sustentavam essa afirmação. A solução do governo? Engavetá-los.

O 3º Levantamento Nacional Domiciliar sobre o Uso de Drogas, encomendado pela Senad – Secretaria Nacional de Drogas, do Ministério da Justiça –, ficou pronto em 2016. Feito pela Fiocruz, era o maior estudo já feito sobre o tema. Ele ouviu 16.273 pessoas em 351 cidades – e custou aos cofres públicos mais de R$ 7 milhões. Novo problema: ele mostrava que, na verdade, não há epidemia nenhuma.

Segundo os números, só 0,9% da população usou crack alguma vez na vida – um número que está longe do que o governo alardeia como “epidemia”. Para se ter uma ideia, o legalizado álcool é um problema bem mais grave: 66,4% dos brasileiros usaram ao menos uma vez na vida, 43,1% no último ano e 30,1% nos últimos 30 dias.

Descontente com os resultados, o governo abriu uma guerra contra a pesquisa. O ministério da Justiça argumentou que o estudo tinha problemas metodológicos e que, por isso, a Fiocruz não havia cumprido os requisitos do edital. O estudo foi embargado e seus resultados, escondidos.

Só que ele chegou até a gente. O Intercept conseguiu, por meio de uma fonte anônima, uma versão de 2017 da pesquisa. Mesmo com a mudança no governo, ela continuava censurada. Em parceria com a Casa da Democracia, analisamos os resultados e publicamos em abril, pela primeira vez, os números que incomodaram o governo.

Na virada para 2019, Osmar Terra saiu do ministério do Desenvolvimento Social e Agrário e foi para o da Cidadania. Sob Bolsonaro, ele conseguiu emplacar sua lei de drogas e aumentou a verba para as comunidades terapêuticas – mesmo com denúncias de tortura e trabalhos forçados. Junto com a ministra Damares Alves, assinou contratos com 216 novas clínicas, ao custo de R$ 153,7 milhões por ano para 10.883 vagas.

Diante de valores tão expressivos, não é difícil entender porque o levantamento nacional sobre drogas incomodou o ministro. Em maio, ele disse que “não confiava” no estudo e que a Fiocruz tem “viés de defender a liberação das drogas”.

Avaliamos, então, que era de interesse público divulgar o documento completo. As 528 páginas detalham a metodologia, os resultados e os impactos do uso de drogas – e elas ficaram públicas pela primeira vez no final de maio, quando publicamos a versão de 2017 completa do documento com exclusividade.

O impasse entre a Fiocruz, que realizou o estudo, e a Senad, que o encomendou, foi mediado pela Advocacia-Geral da União. A solução saiu nessa semana: os órgãos decidiram pela divulgação do material para “promover a transparência e acesso aos dados científicos da pesquisa”. O estudo completo está aqui.

Para a gente, transparência e acesso aos dados é boa notícia. É por isso que, no Intercept, queremos receber suas denúncias. Acreditamos que publicar informações de interesse público é essencial para responsabilizar e fiscalizar quem está no poder. Com os números sobre drogas públicos – primeiro por nós, e agora pela AGU – pesquisadores e responsáveis por políticas públicas vão poder discutir e avaliar abertamente se a estratégia do governo é realmente a melhor para enfrentar o problema. Só resta saber se um governo que sistematicamente rejeita evidências vai, finalmente, encarar os números que contrariam seus interesses. Nós ficaremos de olho.

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Página São Gonçalo na Web

Quando criamos a TV Comunitária de São Gonçalo, à cerca de vinte e poucos anos atrás, adquiri os equipamentos para edição e filmagens e sai pela cidade fazendo tudo que era importante para a população do município. Um dos maiores acontecimentos da nossa cidade se dá no dia 22 de Setembro, onde é comemorado o aniversária da Emacipação do Município.
Neste dia a Prefeitura instala um grande palanque na rua principal da cidade e lá em cima, não só o Prefeito e sua cupula, mas grande quantidade de candidatos se acotovelam para sairem bem nas fotos e filmagens que ocorrem durante o desfile escolar que começa na Praça Professora Estefhânia de Carvalho, popularmente conhecida como Praça do Zé Garoto.
Foi naquele contexto que recebemos da OAB Seção de São Gonçalo o Diploma de Comunicador do Ano por termos criado a Associação de TV da cidade, a TV Comunitária de São Gonçalo.
Pode ter sido ingenuidade de minha parte, mas resolvi enviar um e-mail para uma das maiores empresas de televisão do Brasil, informando que nós estávamos dispostos a fazer uma parceria jornalística, em que nós enviássemos matérias e reportagens, feitas por nossa equipe, uma vez que São Gonçalo à época possuí uma população enorme e que mereria um cobertura ,se não excluziva, pelo menos eventual dos fatos que ocorrem pela cidade.Frizei que o município era um município que possuia mas de um(1 )milhão de moradores e terminei, agradecendo antecipadamente a atenção da diretoria de uma das maiores Empresa de Comunicação do Brasil.
Como resposta, por e-mail recebi um não, alegando que eles não tinha interesse na nossa cidade e sim nas cidade da Baixada Fluminense porque naquela região havia mais de cinco milhões de pessoas, portanto cinco vezes mais gente que em nossa cidade.
Achei estranho, mas preferi não comentar,o fato desta Empresa de Comunicação ter criado um concurso para reporteres jovens para estas cidades, incluindo São Gonçalo.
Fico feliz por ter influênciado a maior empresa do Brasil a gerar empregos para a nossa juventude no campo das reportagens.
Aproveito a ocasião para dizer que não paramos, mas agora estamos mais equipados materialmente e politicamente e nossos vídeos reportagens poderão ser assistidos nesta página,São Gonçalo na Web, criada dentro do site www.rionlinetv.com .Frederico Araujo é jornalista filiado ao Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro e à Associação Brasileira de Imprensa.

Metéria do Intercept Brasil

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Ilustração: Rodrigo Bento/The Intercept Brasil
COMO E POR QUE O INTERCEPT ESTÁ PUBLICANDO CHATS PRIVADOS SOBRE A LAVA JATO E SERGIO MORO
Glenn Greenwald, Betsy Reed, Leandro Demori
9 de Junho de 2019, 17h57
As mensagens secretas da Lava JatoAs mensagens secretas da Lava Jato
Parte 1
Série de reportagens mostra comportamentos antiéticos e transgressões que o Brasil e o mundo têm o direito de conhecer.

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OIntercept Brasil publicou hoje três reportagens explosivas mostrando discussões internas e atitudes altamente controversas, politizadas e legalmente duvidosas da força-tarefa da Lava Jato, coordenada pelo procurador renomado Deltan Dallagnol, em colaboração com o atual ministro da Justiça, Sergio Moro, celebrado a nível mundial.

Produzidas a partir de arquivos enormes e inéditos – incluindo mensagens privadas, gravações em áudio, vídeos, fotos, documentos judiciais e outros itens – enviados por uma fonte anônima, as três reportagens revelam comportamentos antiéticos e transgressões que o Brasil e o mundo têm o direito de conhecer.

O material publicado hoje no Brasil também foi resumido em duas reportagens em inglês publicadas no Intercept, bem como essa nota dos editores do The Intercept e do The Intercept Brasil.

Esse é apenas o começo do que pretendemos tornar uma investigação jornalística contínua das ações de Moro, do procurador Deltan Dallagnol e da força-tarefa da Lava Jato – além da conduta de inúmeros indivíduos que ainda detêm um enorme poder político e econômico dentro e fora do Brasil.

A importância dessas revelações se explica pelas consequências incomparáveis das ações da Lava Jato em todos esses anos de investigação. Esse escândalo generalizado envolve diversos oligarcas, lideranças políticas, os últimos presidentes e até mesmo líderes internacionais acusados de corrupção.

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O mais relevante: a Lava Jato foi a saga investigativa que levou à prisão o ex-presidente Lula no último ano. Uma vez sentenciado por Sergio Moro, sua condenação foi rapidamente confirmada em segunda instância, o tornando inelegível no momento em que todas as pesquisas mostravam que Lula – que terminou o segundo mandato, em 2010, com 87% de aprovação – liderava a corrida eleitoral de 2018. Sua exclusão da eleição, baseada na decisão de Moro, foi uma peça-chave para abrir um caminho para a vitória de Bolsonaro. A importância dessa reportagem aumentou ainda mais depois da nomeação de Moro ao Ministério da Justiça.

Moro e os procuradores da Lava Jato são figuras altamente controversas aqui e no mundo – tidos por muitos como heróis anticorrupção e acusados por tantos outros de ser ideólogos clandestinos de direita, disfarçados como homens da lei apolíticos. Seus críticos têm insistido que eles exploraram e abusaram de seus poderes na justiça com o objetivo político de evitar que Lula retornasse à Presidência e destruir o PT. Moro e os procuradores têm negado, com a mesma veemência, qualquer aliança ou propósito político, dizendo que estão apenas tentando livrar o Brasil da corrupção.

Mas, até agora, os procuradores da Lava Jato e Moro têm realizado parte de seu trabalho em segredo, impedindo o público de avaliar a validade das acusações contra eles. É isso que torna este acervo tão valioso do ponto de vista jornalístico: pela primeira vez, o público vai tomar conhecimento do que esses juízes e procuradores estavam dizendo e fazendo enquanto pensavam que ninguém estava ouvindo.

As reportagens de hoje mostram, entre outros elementos, que os procuradores da Lava Jato falavam abertamente sobre seu desejo de impedir a vitória eleitoral do PT e tomaram atitudes para atingir esse objetivo; e que o juiz Sergio Moro colaborou de forma secreta e antiética com os procuradores da operação para ajudar a montar a acusação contra Lula. Tudo isso apesar das sérias dúvidas internas sobre as provas que fundamentaram essas acusações e enquanto o juiz continuava a fingir ser o árbitro neutro neste jogo.

O único papel do The Intercept Brasil na obtenção desse material foi seu recebimento por meio de nossa fonte, que nos contatou há diversas semanas (bem antes da notícia da invasão do celular do ministro Moro, divulgada nesta semana, na qual o ministro afirmou que não houve “captação de conteúdo”) e nos informou de que já havia obtido todas as informações e estava ansiosa para repassá-las a jornalistas.

Informar à sociedade questões de interesse público e expor transgressões foram os princípios que nos guiaram durante essa investigação, e continuarão sendo conforme continuarmos a noticiar a enorme quantidade de dados a que tivemos acesso.

O enorme volume do acervo, assim como o fato de que vários documentos incluem conversas privadas entre agentes públicos, nos obriga a tomar decisões jornalísticas sobre que informações deveriam ser noticiadas e publicadas e quais deveriam permanecer em sigilo.

Ao fazer esses julgamentos, empregamos o padrão usado por jornalistas em democracias ao redor do mundo: as informações que revelam transgressões ou engodos por parte dos poderosos devem ser noticiadas, mas as que são puramente privadas e infringiriam o direito legítimo à privacidade ou outros valores sociais devem ser preservadas.

A bem da verdade, ao produzir reportagens a partir desses arquivos, somos guiados pela mesma argumentação que levou boa parte da sociedade brasileira – aí incluídos alguns jornalistas, comentaristas políticos e ativistas – a aplaudir a publicidade determinada pelo então juiz Moro das conversas telefônicas privadas entre a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva (em que discutiam a possibilidade do ex-presidente se tornar ministro da Casa Civil), logo reproduzidas por inúmeros veículos de mídia. A divulgação dessas ligações privadas foi crucial para virar a opinião do público contra o PT, ajudando a preparar o terreno para o impeachment de Dilma em 2016 e a prisão de Lula em 2018. O princípio invocado para justificar essa divulgação foi o mesmo a que estamos aderindo em nossas reportagens sobre esse acervo: o de que uma democracia é mais saudável quando ações de relevância levadas a cabo em segredo por figuras políticas poderosas são reveladas ao público.

Mas a divulgação feita por Moro e diversos veículos da imprensa dos diálogos privados entre Lula e Dilma incluíam não apenas revelações de interesse público, mas também comunicações privadas de Lula sem qualquer relevância para a sociedade – o que levou muitas pessoas a argumentarem que a divulgação tinha o propósito de constranger pessoalmente o ex-presidente. Ao contrário deles, o Intercept decidiu manter reservada qualquer comunicação ou informação relacionada a Moro, Dallagnol e outros indivíduos que seja de natureza puramente privada e, portanto, desprovida de real interesse público.

Nós tomamos medidas para garantir a segurança deste acervo fora do Brasil para que vários jornalistas possam acessá-lo, assegurando que nenhuma autoridade de qualquer país tenha a capacidade de impedir a publicação dessas informações.

Ao contrário do que tem como regra, o Intercept não solicitou comentários de procuradores e outros envolvidos nas reportagens para evitar que eles atuassem para impedir sua publicação e porque os documentos falam por si. Entramos em contato com as partes mencionadas imediatamente após publicarmos as matérias, que atualizaremos com os comentários assim que forem recebidos.

Tendo em vista o imenso poder dos envolvidos e o grau de sigilo com que eles operam– até agora –, a transparência é crucial para que o Brasil tenha um entendimento claro do que eles realmente fizeram. A liberdade de imprensa existe para jogar luz sobre aquilo que as figuras mais poderosas de nossa sociedade fazem às sombras.

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