Arquivar 23/08/2019

DELTAN DALLAGNOL QUER LARANJAS

Segunda-feira, 12 de agosto de 2019
“Vou te pedir pra ser laranja em outra coisa”
A reportagem de hoje da #VazaJato mostra como o procurador Deltan Dallagnol usou dois grupos políticos como porta-vozes de causas políticas pessoais dele e da operação. Novos diálogos das mensagens secretas da Lava Jato revelam que Dallagnol pauta atos públicos, publicações em redes sociais e manifestações dos movimentos de forma oculta, tomando cuidado para não ser vinculado publicamente a eles.

O procurador aciona integrantes do Vem pra Rua e do instituto Mude para que sirvam como laranjas em diversas ocasiões. Em uma delas, busca interferir na escolha do ministro do STF que substituiria Teori Zavascki na relatoria da Lava Jato na Suprema Corte.

Os diálogos mostram uma conversa entre Patrícia Fehrmann, do Mude, e Dallagnol em que o procurador recomenda: “seria bom se os movimentos replicassem o post do Luis Flavio Gomes”. Diz a reportagem de Rafael Neves e Rafael Moro:

A publicação atacava Mendes, Lewandowski e Toffoli e afirmava que “comprovar-se-á que o diabo também pode vestir toga” se a relatoria da Lava Jato caísse com um dos três. Dallagnol instruiu Fehrmann a procurar o Vem Pra Rua para reproduzir a mensagem, mas pediu anonimato na sugestão: “só não me citem como origem, para evitar melindrar STF”.

A matéria descreve outras situações em que o procurador age por debaixo dos panos e pede para seus interlocutores serem discretos. Ao dizer ao Mude quem gostaria que assumisse a PGR, ele recomenda que atuem “sem mencionar minha sugestão”. Ao pedir para que uma procuradora apoie um abaixo-assinado a favor da prisão em segunda instância, propõe: “Se Vc topar, vou te pedir pra ser laranja em outra coisa que estou articulando kkkk”.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA →

Rafael Neves
Repórter

Rafel Moro
Editor Contribuinte Sênior

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The Intercept Brasil ABRINDO A GAVETA DA POLÍTICA DE DROGAS

Sábado, 10 de agosto de 2019
Abrimos a gaveta da política de drogas
Não foi com Bolsonaro que o governo começou a mudar a política de drogas. Quando Temer assumiu, em 2016, as estratégias focadas em redução de danos passaram a dar lugar a uma abordagem mais dura, baseada em internação compulsória de dependentes.

É um modelo que centraliza o tratamento nas comunidades terapêuticas, clínicas antidrogas que são, em geral, tocadas por instituições religiosas, que recebem verba do governo para “recuperarem” os dependentes. Em outras palavras: quanto mais viciados, mais dinheiro. O ministro e ex-deputado Osmar Terra, notório defensor da guerra às drogas, já tinha até um projeto de lei, pronto, que só esperava o momento certo para mudar a Lei de Drogas e instituir a internação compulsória.

Só que havia uma pedra no sapato desse modelo. Não havia evidências suficientes para sustentar a nova política. Apesar de Terra e outros defensores – normalmente ligados à bancada evangélica – falarem em “epidemia de crack” e outras drogas, os dados disponíveis não sustentavam essa afirmação. A solução do governo? Engavetá-los.

O 3º Levantamento Nacional Domiciliar sobre o Uso de Drogas, encomendado pela Senad – Secretaria Nacional de Drogas, do Ministério da Justiça –, ficou pronto em 2016. Feito pela Fiocruz, era o maior estudo já feito sobre o tema. Ele ouviu 16.273 pessoas em 351 cidades – e custou aos cofres públicos mais de R$ 7 milhões. Novo problema: ele mostrava que, na verdade, não há epidemia nenhuma.

Segundo os números, só 0,9% da população usou crack alguma vez na vida – um número que está longe do que o governo alardeia como “epidemia”. Para se ter uma ideia, o legalizado álcool é um problema bem mais grave: 66,4% dos brasileiros usaram ao menos uma vez na vida, 43,1% no último ano e 30,1% nos últimos 30 dias.

Descontente com os resultados, o governo abriu uma guerra contra a pesquisa. O ministério da Justiça argumentou que o estudo tinha problemas metodológicos e que, por isso, a Fiocruz não havia cumprido os requisitos do edital. O estudo foi embargado e seus resultados, escondidos.

Só que ele chegou até a gente. O Intercept conseguiu, por meio de uma fonte anônima, uma versão de 2017 da pesquisa. Mesmo com a mudança no governo, ela continuava censurada. Em parceria com a Casa da Democracia, analisamos os resultados e publicamos em abril, pela primeira vez, os números que incomodaram o governo.

Na virada para 2019, Osmar Terra saiu do ministério do Desenvolvimento Social e Agrário e foi para o da Cidadania. Sob Bolsonaro, ele conseguiu emplacar sua lei de drogas e aumentou a verba para as comunidades terapêuticas – mesmo com denúncias de tortura e trabalhos forçados. Junto com a ministra Damares Alves, assinou contratos com 216 novas clínicas, ao custo de R$ 153,7 milhões por ano para 10.883 vagas.

Diante de valores tão expressivos, não é difícil entender porque o levantamento nacional sobre drogas incomodou o ministro. Em maio, ele disse que “não confiava” no estudo e que a Fiocruz tem “viés de defender a liberação das drogas”.

Avaliamos, então, que era de interesse público divulgar o documento completo. As 528 páginas detalham a metodologia, os resultados e os impactos do uso de drogas – e elas ficaram públicas pela primeira vez no final de maio, quando publicamos a versão de 2017 completa do documento com exclusividade.

O impasse entre a Fiocruz, que realizou o estudo, e a Senad, que o encomendou, foi mediado pela Advocacia-Geral da União. A solução saiu nessa semana: os órgãos decidiram pela divulgação do material para “promover a transparência e acesso aos dados científicos da pesquisa”. O estudo completo está aqui.

Para a gente, transparência e acesso aos dados é boa notícia. É por isso que, no Intercept, queremos receber suas denúncias. Acreditamos que publicar informações de interesse público é essencial para responsabilizar e fiscalizar quem está no poder. Com os números sobre drogas públicos – primeiro por nós, e agora pela AGU – pesquisadores e responsáveis por políticas públicas vão poder discutir e avaliar abertamente se a estratégia do governo é realmente a melhor para enfrentar o problema. Só resta saber se um governo que sistematicamente rejeita evidências vai, finalmente, encarar os números que contrariam seus interesses. Nós ficaremos de olho.

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Página São Gonçalo na Web

Quando criamos a TV Comunitária de São Gonçalo, à cerca de vinte e poucos anos atrás, adquiri os equipamentos para edição e filmagens e sai pela cidade fazendo tudo que era importante para a população do município. Um dos maiores acontecimentos da nossa cidade se dá no dia 22 de Setembro, onde é comemorado o aniversária da Emacipação do Município.
Neste dia a Prefeitura instala um grande palanque na rua principal da cidade e lá em cima, não só o Prefeito e sua cupula, mas grande quantidade de candidatos se acotovelam para sairem bem nas fotos e filmagens que ocorrem durante o desfile escolar que começa na Praça Professora Estefhânia de Carvalho, popularmente conhecida como Praça do Zé Garoto.
Foi naquele contexto que recebemos da OAB Seção de São Gonçalo o Diploma de Comunicador do Ano por termos criado a Associação de TV da cidade, a TV Comunitária de São Gonçalo.
Pode ter sido ingenuidade de minha parte, mas resolvi enviar um e-mail para uma das maiores empresas de televisão do Brasil, informando que nós estávamos dispostos a fazer uma parceria jornalística, em que nós enviássemos matérias e reportagens, feitas por nossa equipe, uma vez que São Gonçalo à época possuí uma população enorme e que mereria um cobertura ,se não excluziva, pelo menos eventual dos fatos que ocorrem pela cidade.Frizei que o município era um município que possuia mas de um(1 )milhão de moradores e terminei, agradecendo antecipadamente a atenção da diretoria de uma das maiores Empresa de Comunicação do Brasil.
Como resposta, por e-mail recebi um não, alegando que eles não tinha interesse na nossa cidade e sim nas cidade da Baixada Fluminense porque naquela região havia mais de cinco milhões de pessoas, portanto cinco vezes mais gente que em nossa cidade.
Achei estranho, mas preferi não comentar,o fato desta Empresa de Comunicação ter criado um concurso para reporteres jovens para estas cidades, incluindo São Gonçalo.
Fico feliz por ter influênciado a maior empresa do Brasil a gerar empregos para a nossa juventude no campo das reportagens.
Aproveito a ocasião para dizer que não paramos, mas agora estamos mais equipados materialmente e politicamente e nossos vídeos reportagens poderão ser assistidos nesta página,São Gonçalo na Web, criada dentro do site www.rionlinetv.com .Frederico Araujo é jornalista filiado ao Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro e à Associação Brasileira de Imprensa.